Tati Machado tem falado abertamente sobre a dor que ainda atravessa cinco meses após o falecimento do filho, Rael, na reta final da gravidez. A apresentadora e outras mulheres famosas, como a influencer Clara Maia, que perdeu um dos bebês em uma gestação gemelar, e Lexa, cuja filha veio a óbito dias após o parto, têm levantado debates sobre um tema que aflige muitas mulheres: o luto gestacional.
“O luto perinatal não é apenas sobre a morte do bebê, mas sobre o vínculo e os planos interrompidos. Validar essa dor é essencial para que o acolhimento aconteça de forma verdadeira”, explica a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline.
Um assunto tão delicado rende gafes, mesmo quando a intenção é prestar apoio. Por isso, a especialista listou frases que devem ser evitadas para não magoar a mãe enlutada.
• “Foi melhor assim”
• “Você pode tentar de novo”
• “Pelo menos foi cedo”
• “Deus sabe o que faz”
• “Seja forte”
“Essas frases, embora bem-intencionadas, diminuem o sofrimento. O verdadeiro acolhimento é feito de presença, não de respostas prontas”, reforça Rafaela.
Segundo a psicóloga, o luto é único, por isso, não é possível determinar um prazo definido para o fim do processo. “O que importa é observar como a tristeza impacta o cotidiano. Quando há isolamento prolongado ou pensamentos de desesperança, pode ser o momento de buscar apoio especializado”, completou.
Para, de fato, fortalecer uma mulher que atravessa essa situação, a especialista pontua que é essencial:
• Ouvir sem julgar: o silêncio respeitoso vale mais do que conselhos.
• Dizer “sinto muito”: validar a dor é mais empático do que tentar explicá-la.
• Evitar comparações: cada perda é única; não existe jeito certo de sofrer.
• Oferecer ajuda prática: comida pronta, tarefas domésticas e apoio logístico aliviam a sobrecarga.
• Respeitar rituais: fotos, lembranças e o nome do bebê ajudam a ressignificar a dor.
• Incluir o pai: ele também vive o luto, ainda que em silêncio.
• Acompanhar depois: o apoio é ainda mais necessário nas semanas seguintes, quando o luto se torna mais silencioso.